sexta-feira, 17 de julho de 2020

ERIK SATIE, de Anne Rey. Inclui fotos de Honfleur (França) e cenas do YouTube de "Vexations". Por Francisco Souto Neto.


LIVROS COM HISTÓRIAS QUE NÃO ESTÃO NOS LIVROS – Um livro pode conter muito mais do que aquilo que vem escrito no seu conteúdo. O exemplar pode ter histórias pessoais do seu dono, ou conter dedicatórias raras, ou ter sido emprestado e ter ali registradas impressões manuscritas dos leitores, por ter sido impresso há cem ou duzentos anos... e assim por diante. Este blog pretende, pois, contar algumas dessas histórias paralelas a determinados exemplares da minha biblioteca.

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 Capa brasileira de ERIK SATIE, de Anne Rey.


Comendador Francisco Souto Neto

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ERIK SATIE, de Anne Rey.


 A autora Anne Rey.

Erik Satie em 1909.


Antes de comentar este livro de Anne Rey, gostaria de contar quando e como tomei conhecimento da música personalíssima de Erik Satie (pronuncia-se “erríc satí”), um compositor erudito e inovador, sem similar, único no mundo, nascido em Honfleur em 1866 e falecido em Arcueil em 1926, ambas cidades da França.

Lá pela segunda metade da década de 70, eu andava com meu amigo Rubens Faria Gonçalves pela Rua XV de Novembro, em Curitiba, quando ouvimos acordes repetitivos ao piano. No quarteirão seguinte, os mesmos acordes continuavam soando agradavelmente. Mas de onde viria aquele som contínuo? Intrigados, começamos a procurar de onde viria a música e descobrimos que na rua havia alto-falantes distribuídos a curta distância um do outro, e dali provinha aquele som belo e continuado. Fomos então seguindo os fios e os alto-falantes, buscando pelo local do seu início.

A Rua XV termina – ou começa – na Praça Osório. Bem na esquina, existia o Restaurante e Café Iguaçu que funcionava no 1º andar e mantinha uma extensão num anexo na rua, sobre o calçadão. E ali, sob aquele anexo, havia um piano ao qual se conectavam os alto-falantes, e uma moça era quem estava ao teclado. Chegamos mais perto e – surpresa! – ela era uma amiga de Ponta Grossa, a pianista (concertista) Maria Lúcia Aguiar Armellini (Maria Lúcia Lopes após o casamento). Ela também se surpreendeu ao ver-me. Lúcia era filha de minha professora de Literatura Francesa no Curso Científico, Maria da Graça (Grací) Aguiar Armellini, que veio a se tornar uma das minhas mais importantes amigas de toda a vida.

Sem interromper a música que tocava, Lúcia contou-nos que aquele era um projeto – não me lembro de qual iniciativa – que se propunha a tocar aquela peça musical, composta sempre com os mesmos acordes repetitivos, por certa de 12 horas; então, a cada hora o pianista era substituído por outro em revezamento. Faltava muito pouco para que o tempo dela expirasse, coisa com 10 ou 15 minutos, e então ficamos ali perto observando, até que chegou alguém que, sem qualquer interrupção, assumiu o teclado enquanto Lúcia afastou-se rapidamente, cedendo o banco a seu sucessor. E a melodia prosseguiu sem que o som sequer sofresse nem o menor tropeço. Admirável.

Foi então que Lúcia contou-nos o nome do compositor: Erik Satie, e a peça musical chamava-se Vexations.

Para que o meu leitor saiba como são as Vexations, dou o exemplo abaixo, de uma minúscula demonstração de apenas dois minutos, pela pianista Joana Gama, apenas para que conheça a melodia:



Ambos, eu e meu amigo, admirados com essa história e ao mesmo tempo encantados com aquele som de piano, passamos a procurar por discos de Satie. E encontramos. Os títulos das composições eram tão curiosos quanto a própria música: Morceaux en forme de poire (Peças em forma de pera), Jack in the box, Gnossiennes, Gymnopédies, Ogives, Sarabandes... e centenas de outras.

Eu conhecia Lúcia e sua irmã Célia desde que eram meninas, ou adolescentes, bem antes de ser aluno de sua mãe. Mais tarde tornei-me amigo também do irmão caçula dessas garotas, o Tuca (Arthur Armellini Júnior).

 No ano de 1960 ou 1961 eu recebi uma visita de Célia e Lúcia, quando eu morava na Rua Augusto Ribas nº 571, em Ponta Grossa, e tiramos uma fotografia juntos no quintal. Lúcia é a mocinha à direita.


Por volta de 2005, eu recebi a visita de Lúcia quando morei na Rua Marechal Hermes, em Curitiba.

 
Lúcia ao piano em tempos mais recentes.

Em 2001, numa das viagens que fizemos à Europa, eu e Rubens Gonçalves, ao traçarmos o nosso roteiro de passeios pela França, resolvemos ir a Honfleur, na Normandia, porque queríamos conhecer a cidade que era a preferida pelos antigos artistas plásticos impressionistas, e para conhecermos Les Maisons Satie, isto é, o Museu Erik Satie. Tínhamos lido a respeito, sabíamos que Honfleur era a cidade natal de Satie, e que o seu museu era um local muito interessante para ser visitado.

Honfleur encantou-nos pelo Vieux Bassin (velho cais) e pela cidade com seus prédios e igrejas muitas vezes centenários.

Honfleur

 Rubens em frente ao hotel onde nos hospedamos, o Hôtel du Dauphin. A janela de nosso quarto, exatamente na esquina, no 2º andar, é a que está sobre a palavra HOTEL. A janela do nosso banheiro é a que fica sobre a palavra DAUPHIN.

 Foto que, da janela do quarto, tirei do Rubens na janela do banheiro. À direta, uma parte da igreja de Santa Catarina (antiga catedral medieval) de madeira, do século XV. A torre separada da igreja, também de madeira, é a que se vê ao centro sustentada por várias toras.

Francisco Souto Neto no Vieux Basin (velho porto).

 Rubens Faria Gonçalves no Vieux Basin, onde os expressionistas ficavam pintando.

Francisco Souto Neto em frente ao antigo carrossel.

Francisco Souto Neto no portão de entrada ao Museu Erik Satie. 

 Rubens Faria Gonçalves filmando no interior do Museu Erik Satie.

 Rubens ouvindo o piano que, “sozinho”, toca as Gnossiennes.

Souto ouvindo o piano “sozinho” tocar as Gnossiennes.

 
Erik Satie em 1920.

O Museu Satie impressionou-nos intensamente. Como de se esperar, tendo sido um compositor tão revolucionário e inovador, seu museu é também surpreendente. Fizemos lá dentro uma filmagem que culmina com o piano branco de Satie tocando “sozinho”. Vale a pena ver este raro pequeno filme:



Adiante, alguns comentários sobre o livro Erik Satie, escrito pela francesa Anne Rey.


O livro


 Capa da edição francesa.


  

Página de abertura do livro. Vi que ele pertenceu anteriormente a Alexandre Brasolim de Magalhães, a quem não conheço. Procurei por ele no Google e descobri que ele mora em Curitiba e é violinista e concertino da Orquestra Sinfônica do Paraná. É possível vê-lo regendo a orquestra num vídeo do YouTube.

 A página 1 do livro, e as duas seguintes, fazem uma síntese da personalidade de Erik Satie e sua relação com intelectuais e músicos da sua época.


 Páginas 2 e 3, conclusão da página 1



 Da página 5 à 9, a infância sofrida pela morte da mãe aos 4 anos, e depois pela perda da avó, afogada...

 ...a madrasta e o ódio à música nas páginas 6 e 7. A idade adulta...

...e os amigos nas páginas 8 e 9, dos quais Debussy seria o melhor.

 
No último parágrafo da página 33, a autora revela que Vexations (vide partitura na página seguinte) deve ser executada por 840 vezes seguidas e sem interrupção, o que equivaleria aproximadamente a 12 horas ininterruptas de um recital de piano. “Recital” porque a peça musical deveria, em tese, ser executada por um único pianista...e isto não é impossível, porque há na internet um filme de 12 horas seguidas, com um único pianista tocando Vexations... e ele termina num impressionante estado de exaustão.


O livro é sobretudo técnico, como se vê nas páginas 12 e 13, com análises a diversas partituras de Satie.

 O livro termina na página 142, no subtítulo Solidão e pobreza, e vem nas próprias palavras amargas de Erik Satie, numa finitude triste e amarga, sem ter conhecido em maior profundidade a admiração e reconhecimento que lhe temos hoje.

A quarta capa (ou contracapa) do livro.

Ao encerrar, anexo uma filmagem de Igor Levit, o pianista que executou Vexations num filme que tem 12 horas de duração. Esse filme está no YouTube. O que vou anexar em primeiro lugar é uma versão bem reduzida, de apenas 11 minutos, mas que preserva as imagens de sofrimento e de dor física do famoso pianista, por passar tantas e tantas horas executando Vexations sem interrupção.


O mesmo Igor Levit no filme completo, com 12 horas de duração:


Vou anexar também, apenas por curiosidade, o recorde registrado de um pianista, Nicolas Horvath, executando Vexations num filme com duração de 24 horas... uma loucura!


Algo é inconteste: a genialidade de Erik Satie, o compositor que descobri acidentalmente, há quase meio século, quando passeava pela Rua XV de Novembro em Curitiba.

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terça-feira, 14 de julho de 2020

MOEDAS DE LUZ, de Sylvio Back. O lançamento do livro e o desentendimento de Francisco Souto Neto com um dos diretores do Banestado.

LIVROS COM HISTÓRIAS QUE NÃO ESTÃO NOS LIVROS – Um livro pode conter muito mais do que aquilo que vem escrito no seu conteúdo. O exemplar pode ter histórias pessoais do seu dono, ou conter dedicatórias raras, ou ter sido emprestado e ter ali registradas impressões manuscritas dos leitores, por ter sido impresso há cem ou duzentos anos... e assim por diante. Este blog pretende, pois, contar algumas dessas histórias paralelas a determinados exemplares da minha biblioteca.

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Capa de MOEDAS DE LUZ, de Sylvio Back.

 
Comendador Francisco Souto Neto

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MOEDAS DE LUZ, de Sylvio Back.

 
O autor Sylvio Back


Durante os muitos anos em que, como funcionário de carreira, exerci o cargo de Assessor para Assuntos de Cultura da presidência do Banestado, somente três autores foram diretamente autorizados pelo presidente a fazer o lançamento de livros na Galeria de Arte Banestado sem antes passar pelo meu crivo. Este livro de Sylvio Back foi um deles. A propósito, Moedas de Luz nem mesmo recebeu o apoio do Banestado através da Lei Rouanet, pois ele foi impresso pela Editora Max Limonad, de São Paulo. O presidente Carlos Antonio de Almeida Ferreira simplesmente me informou que queria lançar um livro de Sylvio Back na nossa galeria de arte e pediu-me adequar a cerimônia de lançamento a alguma data disponível. Apesar de que Dr. Almeida – como o chamávamos – fosse um homem de grande cultura, eu sempre tive o temor de que algum lançamento de livro, ou mesmo de alguma exposição de artes plásticas, pudessem ser impostos por critério político, sem atenção ao grau de excelência que se esperava de todos os lançamentos feitos pela Galeria de Arte (depois Espaço Cultural) Banestado... mas isto, felizmente, nunca aconteceu.

Por sorte, Sylvio Back era – e é – um dos mais importantes cineastas do país. Dentre os ótimos filmes que dirigiu, eu ressalto o meu predileto, Lance Maior, de 1968, dentre outras dezenas de ótimos filmes, incluindo-se curtas e médias-metragens, e documentários. Além de respeitado cineasta, Back é poeta, escritor, jornalista, roteirista e produtor.

O filme Lance Maior

Fiz o lançamento sem conhecer o conteúdo do livro. Depois, em casa, li a obra e gostei muito. Moedas de Luz, sem prefácio, começa com um introito contendo curtos versos de Sérgio Rubens Sosséla, Alice Ruiz e Paulo Leminski – intelectuais do mais alto gabarito literário.

Logo percebi que a essência dos poemas versava sobre Mara e a finitude humana.  E Mara, segundo minha percepção, seria a pessoa amada; a esposa ou a namorada que faleceu, deixando o espírito do poeta aturdido, com aquele desalento que todos, infelizmente, conhecemos por experiência própria  em situações semelhantes.

O livro, entretanto, em versos livres, é uma intensa e forte obra poética e nos dá a uma reflexão sobre a vida e a morte. É composto de versos poéticos corajosos. Impactante no seu tema, a obra é ousada também na forma, como realmente deve ser concebida a poesia contemporânea. A capa do livro, de Mariza Dias Costa – igualmente responsável pelas ilustrações encontradas ao final de cada um dos sete capítulos – mostra um rosto de mulher com um ríctus nitidamente angustiado. Ao final deste artigo colocarei apenas algumas páginas escaneadas de Moedas de Luz, para que meus leitores possam conhecer um pouco destes versos de Sylvio Back e sentir o impacto dos mesmos. 

A noite de autógrafos foi um sucesso, com o comparecimento massivo do universo intelectual paranaense.

O que eu não podia imaginar é que o lançamento desse livro me causaria um incidente muito desagradável com um dos diretores do Banestado.


O incidente do conteúdo do livro com um diretor do Banestado


Dois ou três dias após o lançamento de Moedas de Luz, um dos diretores do banco chamou-me ao seu gabinete. Estranhei um pouco esse chamado, porque somente o presidente, e mesmo assim muito ocasionalmente, chamava por mim à sua presença. Não me recordo do nome desse diretor – foram muitas dezenas deles, do banco e das empresas conglomeradas, ao longo de décadas – e estou dizendo isso com toda sinceridade.

Entrei no gabinete do diretor, e ele começou a bradar, o dedo em riste. Perguntava-me, muito irritado, “como é que o Banestado podia ter feito o lançamento de um livro que execrava Curitiba”. Fiquei por um momento confuso, sem entender a questão. Ele prosseguiu: “É o livro que xinga o povo de Curitiba, que você promoveu na ‘nossa’ galeria!”. Entendi que ele se referia a Moedas de Luz. Como esse diretor não comparecera à noite de autógrafos, certamente um de seus assessores que lá estiveram, leu um ou apenas alguns versos do livro, não gostou e não percebeu o seu contexto, nem a totalidade do livro. Então apressei-me em explicar ao enfurecido diretor, que se tratava de uma obra poética de um autor muito respeitado no mundo cultural do Paraná. Mas nada amansava o homem. Num flash de memória, lembrei-me de que nas referências de Sylvio a Mara, havia esta página:

Página 91 de Moedas de Luz.

E então tentei explicar ao tosco diretor, que talvez ele estivesse se referindo ao capítulo que versa sobre o “Diário de Mara”, que não eram literalmente palavras do poeta, mas de sua amada que, doente, sofrendo, talvez vendo-se em sua finitude, não conseguisse encontrar palavras que pudessem confortar a si própria; além disso, os curitibanos que ela conhecia talvez não fossem como aqueles que nós conhecemos...” Mas imediatamente senti-me um idiota tentando explicar ao diretor algo que não deve ser explicado, mas apenas sentido: a poesia. O diretor continuava esbravejando, o que considerei uma falta de respeito para comigo e para com o autor e seu livro precioso.

Levantei as duas mãos em sinal de “acalme-se, e disse-lhe: “Quem mandou realizar a noite de autógrafos na ‘nossa’ galeria de arte foi o presidente do Banco. É a ele que o senhor deve reclamar. e pedir explicações. Com licença”, e me retirei.

Fui logo me encontrar com o presidente e relatei-lhe o ocorrido. Dr. Almeida deu-me um sorriso de cumplicidade e disse-me algo mais ou menos como “poesia não é para qualquer um”. 

Depois desse episódio, lembrei-me de um lapso de conversa que, um ou dois meses antes, eu ouvi num dos ambientes da diretoria do Banestado. Aconteceu assim: eu saí da sala do presidente e desci para o andar térreo pela escadaria monumental que ali existia. Logo após o último degrau do térreo, três diretores conversavam. Um deles era “aquele” diretor. Ele estava de costas para mim e não me viu, mas quando passei por trás dele, ouvi nitidamente este momento da conversa: “...e, além disso, eu acho que os assessores estão aparecendo demais...”. Eu senti, naquele instante, que ele se referia a mim. Incrível que isso tenha ocorrido no exato momento em que passei por ali, nem um segundo antes, nem depois. Pensei, meio constrangido: “apareço muito na imprensa; será que isto está causando alguma ciumeira nos diretores que pouco aparecem?!”. É que, como eu era o responsável pelo Programa de Cultura do banco oficial do Paraná, costumava estar presente a inúmeros acontecimentos culturais, e sempre era fotografado. Além disso, eu tinha uma coluna publicada em dois jornais e uma revista, era conselheiro do “Sistema Paranaense de Museus” e tinha um programa aos sábados na Rádio Estadual. À noite, em casa, fui olhar os recortes que eu guardava, de jornais e revistas que me mencionavam... e eram muitos. Quando chegamos ao fim daquele ano de 1988, vi que colecionei o impressionante número de 219 recortes de jornais que se referiram às minhas atividades profissionais e sociais. Nestes 219 recortes, encontrei publicadas 132 fotografias minhas, sozinho ou com outras pessoas. Passados 32 anos desses acontecimentos, agora em 2020, sinto-me surpreso ao constatar que essas minhas atividades eram realmente intensas, e que a imprensa as valorizava.

Aquele diretor que disse que “os assessores estavam aparecendo demais”, talvez pensasse que encontraria no lançamento de Moedas de Luz algo que pudesse desabonar ou diminuir minha atuação como assessor, mas felizmente o tiro lhe saiu pela culatra.

Aos amigos que quiserem ver a realidade de mais de cem fotografias publicadas pela imprensa envolvendo meu trabalho e atividades sociais durante o ano de 1988, encontrarão todas elas no site abaixo:

 Capa de Moedas de Luz.

Dedicatória de Sylvio Back na primeira página, para Souto Neto.

Apresentam o livro: Sérgio Rubens Sossélla, Alice Ruiz e Paulo Leminski.

Contracapa (ou 4ª capa) de Moedas de Luz.

 Sylvio Back autografando para Francisco Souto Neto. Foto de Alice Varajão.

 Sylvio Back autografando para Francisco Souto Neto. Foto de Alice Varajão.

 Um dos recortes de jornal com Sylvio Back autografando para Souto Neto.

Abaixo, algumas das quase 200 páginas de poemas em Moedas de Luz:















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